Rewilding: uma nova forma de conservar a natureza

Você já imaginou como seria o mundo se deixássemos a natureza seguir seu curso, sem a interferência humana? Essa é a proposta do rewilding, uma abordagem progressiva para a conservação que busca restaurar os ecossistemas e a biodiversidade através da redução do controle humano sobre a natureza.


O que é rewilding?


O termo rewilding foi cunhado em 1990 pelo ambientalista Dave Foreman, fundador do movimento Earth First!, que defendia a proteção da natureza selvagem e a reintrodução de espécies extintas ou ameaçadas. Desde então, o conceito evoluiu e ganhou diferentes interpretações e aplicações, mas em geral pode ser definido como uma forma de restauração ecológica com o objetivo de aumentar a biodiversidade e restaurar processos naturais.


O rewilding se distingue de outras formas de restauração ecológica, pois aspira a reduzir a influência humana nos ecossistemas. Além disso, enquanto enfatiza a recuperação de interações e funções ecológicas específicas de determinadas áreas geográficas, o rewilding também está aberto a ecossistemas novos ou emergentes que envolvem novas espécies e interações.


Um aspecto fundamental do rewilding é a substituição de intervenções humanas por processos naturais, com o objetivo de criar ecossistemas resilientes, auto-reguladores e auto-sustentáveis. Embora as iniciativas de rewilding possam ser controversas, as Nações Unidas listaram o rewilding como um dos métodos necessários para alcançar a restauração em grande escala de ecossistemas naturais, que deve ser realizada até 2030 como parte da campanha 30x30.


Por que o rewilding é importante?


O rewilding é importante porque oferece uma alternativa à conservação tradicional, que muitas vezes se baseia em manter ou restaurar um estado histórico ou idealizado da natureza, que pode não ser mais adequado às mudanças climáticas e ambientais. O rewilding reconhece que a natureza é dinâmica e adaptável, e que os humanos fazem parte dela, mas não devem dominá-la.


O rewilding também traz benefícios para os humanos, pois pode melhorar os serviços ecossistêmicos, como a regulação do clima, a purificação da água, a polinização, a prevenção de erosão e inundações, entre outros. Além disso, o rewilding pode promover o bem-estar humano, ao proporcionar oportunidades de lazer, educação, saúde e conexão com a natureza.


Como o rewilding é feito?


Não há uma receita única para o rewilding, pois cada iniciativa depende do contexto local, dos objetivos e dos atores envolvidos. No entanto, alguns elementos comuns são:


- A identificação de áreas prioritárias para o rewilding, que podem ser áreas degradadas, fragmentadas ou ameaçadas pela atividade humana.

- A remoção ou redução das pressões humanas sobre essas áreas, como o desmatamento, a caça, a agricultura, a mineração, entre outras.

- A reintrodução ou reforço de espécies-chave ou funcionais, que desempenham um papel importante na estruturação e no funcionamento dos ecossistemas. Por exemplo, os lobos podem controlar as populações de herbívoros e favorecer o crescimento da vegetação; os castores podem modificar os cursos d'água e criar habitats para outras espécies; os elefantes podem dispersar sementes e abrir clareiras na floresta.

- O monitoramento e a avaliação dos resultados do rewilding, tanto em termos ecológicos quanto socioeconômicos. O rewilding deve ser baseado em evidências científicas e envolver as comunidades locais na tomada de decisões e na gestão das áreas rewildadas.

- A comunicação e a sensibilização sobre o rewilding, para informar e educar o público sobre os benefícios e os desafios dessa abordagem. O rewilding deve ser visto como uma oportunidade de coexistência entre humanos e natureza, e não como uma ameaça ou uma utopia.


Exemplos de rewilding no mundo


O rewilding está sendo aplicado em diferentes partes do mundo, com diferentes escalas e abordagens. Alguns exemplos são:


- O projeto Rewilding Europe, que visa rewildar um milhão de hectares em dez áreas da Europa até 2025, envolvendo a reintrodução de espécies como o bisão, o urso-pardo, o lince-ibérico e o cavalo selvagem. O projeto também busca apoiar o desenvolvimento de negócios baseados na natureza, como o ecoturismo, a silvicultura e a pecuária extensiva.

- O projeto Yellowstone to Yukon (Y2Y), que visa conectar e proteger uma área de 3.200 quilômetros entre os Estados Unidos e o Canadá, abrangendo diversos ecossistemas e espécies emblemáticas, como o urso-pardo, o lobo-cinzento, o alce e o salmão. O projeto envolve a criação de corredores ecológicos, a restauração de habitats, a redução de conflitos entre humanos e animais selvagens e a promoção da participação das comunidades indígenas.

- O projeto Oasi Zegna, que visa rewildar uma área de 100 quilômetros quadrados nos Alpes italianos, pertencente à família Zegna, fundadora da marca de moda homônima. O projeto envolve a recuperação da floresta nativa, a reintrodução de espécies como o veado-vermelho, o corço e o gato-selvagem, a criação de trilhas e mirantes para os visitantes e a educação ambiental para as crianças.

- O projeto Rewilding Argentina, que visa rewildar uma área de 3 milhões de hectares na Patagônia argentina, incluindo o Parque Nacional Iberá, onde foram reintroduzidas espécies como a anta, o tamanduá-bandeira, o jacaré-do-papo-amarelo e a arara-vermelha-grande. O projeto também busca gerar empregos e renda para as comunidades locais através do turismo sustentável.


Conclusão


O rewilding é uma abordagem progressiva para a conservação que busca restaurar os ecossistemas e a biodiversidade através da redução do controle humano sobre a natureza. O rewilding traz benefícios tanto para a natureza quanto para os humanos, pois pode melhorar os serviços ecossistêmicos, promover o bem-estar humano e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas. O rewilding é feito de diferentes formas em diferentes lugares, mas sempre envolve a identificação de áreas prioritárias, a remoção ou redução das pressões humanas, a reintrodução ou reforço de espécies-chave ou funcionais, o monitoramento e a avaliação dos resultados e a comunicação e a sensibilização sobre o tema. O rewilding é uma oportunidade de coexistência entre humanos e natureza, que requer ciência, participação e visão de longo prazo.

Rewilding: uma nova forma de conservar a natureza

Você já imaginou como seria o mundo se deixássemos a natureza seguir seu curso, sem a interferência humana? Essa é a proposta do rewilding, uma abordagem progressiva para a conservação que busca restaurar os ecossistemas e a biodiversidade através da redução do controle humano sobre a natureza.


O que é rewilding?


O termo rewilding foi cunhado em 1990 pelo ambientalista Dave Foreman, fundador do movimento Earth First!, que defendia a proteção da natureza selvagem e a reintrodução de espécies extintas ou ameaçadas. Desde então, o conceito evoluiu e ganhou diferentes interpretações e aplicações, mas em geral pode ser definido como uma forma de restauração ecológica com o objetivo de aumentar a biodiversidade e restaurar processos naturais.


O rewilding se distingue de outras formas de restauração ecológica, pois aspira a reduzir a influência humana nos ecossistemas. Além disso, enquanto enfatiza a recuperação de interações e funções ecológicas específicas de determinadas áreas geográficas, o rewilding também está aberto a ecossistemas novos ou emergentes que envolvem novas espécies e interações.


Um aspecto fundamental do rewilding é a substituição de intervenções humanas por processos naturais, com o objetivo de criar ecossistemas resilientes, auto-reguladores e auto-sustentáveis. Embora as iniciativas de rewilding possam ser controversas, as Nações Unidas listaram o rewilding como um dos métodos necessários para alcançar a restauração em grande escala de ecossistemas naturais, que deve ser realizada até 2030 como parte da campanha 30x30.


Por que o rewilding é importante?


O rewilding é importante porque oferece uma alternativa à conservação tradicional, que muitas vezes se baseia em manter ou restaurar um estado histórico ou idealizado da natureza, que pode não ser mais adequado às mudanças climáticas e ambientais. O rewilding reconhece que a natureza é dinâmica e adaptável, e que os humanos fazem parte dela, mas não devem dominá-la.


O rewilding também traz benefícios para os humanos, pois pode melhorar os serviços ecossistêmicos, como a regulação do clima, a purificação da água, a polinização, a prevenção de erosão e inundações, entre outros. Além disso, o rewilding pode promover o bem-estar humano, ao proporcionar oportunidades de lazer, educação, saúde e conexão com a natureza.


Como o rewilding é feito?


Não há uma receita única para o rewilding, pois cada iniciativa depende do contexto local, dos objetivos e dos atores envolvidos. No entanto, alguns elementos comuns são:


- A identificação de áreas prioritárias para o rewilding, que podem ser áreas degradadas, fragmentadas ou ameaçadas pela atividade humana.

- A remoção ou redução das pressões humanas sobre essas áreas, como o desmatamento, a caça, a agricultura, a mineração, entre outras.

- A reintrodução ou reforço de espécies-chave ou funcionais, que desempenham um papel importante na estruturação e no funcionamento dos ecossistemas. Por exemplo, os lobos podem controlar as populações de herbívoros e favorecer o crescimento da vegetação; os castores podem modificar os cursos d'água e criar habitats para outras espécies; os elefantes podem dispersar sementes e abrir clareiras na floresta.

- O monitoramento e a avaliação dos resultados do rewilding, tanto em termos ecológicos quanto socioeconômicos. O rewilding deve ser baseado em evidências científicas e envolver as comunidades locais na tomada de decisões e na gestão das áreas rewildadas.

- A comunicação e a sensibilização sobre o rewilding, para informar e educar o público sobre os benefícios e os desafios dessa abordagem. O rewilding deve ser visto como uma oportunidade de coexistência entre humanos e natureza, e não como uma ameaça ou uma utopia.


Exemplos de rewilding no mundo


O rewilding está sendo aplicado em diferentes partes do mundo, com diferentes escalas e abordagens. Alguns exemplos são:


- O projeto Rewilding Europe, que visa rewildar um milhão de hectares em dez áreas da Europa até 2025, envolvendo a reintrodução de espécies como o bisão, o urso-pardo, o lince-ibérico e o cavalo selvagem. O projeto também busca apoiar o desenvolvimento de negócios baseados na natureza, como o ecoturismo, a silvicultura e a pecuária extensiva.

- O projeto Yellowstone to Yukon (Y2Y), que visa conectar e proteger uma área de 3.200 quilômetros entre os Estados Unidos e o Canadá, abrangendo diversos ecossistemas e espécies emblemáticas, como o urso-pardo, o lobo-cinzento, o alce e o salmão. O projeto envolve a criação de corredores ecológicos, a restauração de habitats, a redução de conflitos entre humanos e animais selvagens e a promoção da participação das comunidades indígenas.

- O projeto Oasi Zegna, que visa rewildar uma área de 100 quilômetros quadrados nos Alpes italianos, pertencente à família Zegna, fundadora da marca de moda homônima. O projeto envolve a recuperação da floresta nativa, a reintrodução de espécies como o veado-vermelho, o corço e o gato-selvagem, a criação de trilhas e mirantes para os visitantes e a educação ambiental para as crianças.

- O projeto Rewilding Argentina, que visa rewildar uma área de 3 milhões de hectares na Patagônia argentina, incluindo o Parque Nacional Iberá, onde foram reintroduzidas espécies como a anta, o tamanduá-bandeira, o jacaré-do-papo-amarelo e a arara-vermelha-grande. O projeto também busca gerar empregos e renda para as comunidades locais através do turismo sustentável.


Conclusão


O rewilding é uma abordagem progressiva para a conservação que busca restaurar os ecossistemas e a biodiversidade através da redução do controle humano sobre a natureza. O rewilding traz benefícios tanto para a natureza quanto para os humanos, pois pode melhorar os serviços ecossistêmicos, promover o bem-estar humano e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas. O rewilding é feito de diferentes formas em diferentes lugares, mas sempre envolve a identificação de áreas prioritárias, a remoção ou redução das pressões humanas, a reintrodução ou reforço de espécies-chave ou funcionais, o monitoramento e a avaliação dos resultados e a comunicação e a sensibilização sobre o tema. O rewilding é uma oportunidade de coexistência entre humanos e natureza, que requer ciência, participação e visão de longo prazo.